sexta-feira, 8 de março de 2013

Oitavo Andar

Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do 8º andar, onde a dona Maria mora, porque ela me adora e eu sempre posso entrar. Era bem o tempo de você chegar no T, olhar no espelho o seu cabelo, falar com o seu Zé...
E me ver caindo em cima de você, como uma bigorna cai em cima de um cartoon qualquer. E ai, só nos dois no chão frio, de conchinha bem no meio fio. No asfalto riscados de giz, imagina que cena feliz.
Quando os paramédicos chegassem, e os bombeiros retirassem nossos corpos do Leblon, a gente ia para o necrotério, ficar brincando de sério deitadinhos no bem-bom. Cada um feito um picolé, com a mesma etiqueta no pé.
Na autópsia daria pra ver, como eu só morri por você...
Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do 8° andar... Invés disso eu dei meia volta e comi uma torta inteira de amora no jantar.

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