sexta-feira, 8 de março de 2013

Qualquer Negócio

Me deixa ser quem faz o laço da gravata do mordomo que te serve o jantar.
Me deixa ser o suporte que segura a tela plana da sua sala no lugar.
Me deixa usar o pé pra equilibrar aquela mesa bamba que você aposentou há mais de um mês.
Me deixa ser a sua estátua de jardim. O seu cabide de casacos.
Só não me tira de vez da sua casa...
Eu posso ser a empregada da empregada, da empregada, da empregada... Do seu tio.
Me deixa ser o seu pinguim de geladeira, eu fico uma semana inteira sem mexer.
Me deixa ser o passarinho do relógio que de hora em hora pode aparece... Pra eu te ver.
Me deixa ser quem passa a calça que você precisa usar no seu jantar à luz de velas com alguém.
Me deixa ser quem deixa vocês dois de carro, em um restaurante caro.
Só não deixa eu ser ninguém na sua vida.

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