segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Extinção
Assim que eu me localizei percebi que a floresta parecia estranhamente vazia enquanto eu seguia a pé para a praia. O silêncio era sinistro, e não havia sequer o som do vento nas árvores. Assim que cheguei a praia pude sentir um vento gelado e me arrependi de estar ali, estava frio demais, no entanto, aonde mais eu iria? Arrastei-me até um tronco e me sentei na ponta para me encostar nas raízes emaranhadas. Não havia como não pensar nele, o buraco inflamara, as bordas ardiam. Tinha de haver uma forma de extingui-lo, a dor ficava cada vez mais insuportável a cada segundo.
Olhei os penhascos eram como lâmina preta contra o céu claro. Bem, porque não? Por que não extinguir a dor agora mesmo? Eu conhecia o caminho que me levaria até lá, subia que ali eu encontraria alívio e que esse caminho me levaria a morte. Eu só tinha certeza de uma coisa, era que aquele buraco permaneceria li por tempo indeterminado. Isso tornava a ideia de morrer bastante tolerável.
A caminhada era longa e o céu não me ajudou muito, as nuvens faziam um peso invisível que impedia que eu respirasse, meus pulmões ardiam querendo mais ar e minhas pernas doíam por causa do frio gelado. Eu podia sentir o vento desintegrando a pele do meu rosto célula por célula, mas nada se comparava a dor que aquele buraco causava. Eu precisava acabar com aquilo. Enquanto eu caminhava pela estrada para chegar à trilha mais próxima dei uma olhada pros penhascos e as ondas enfurecidas que quebravam. Eu queria pular do topo, queria a longa queda que me daria sensação de voar.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário