segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Sem som
Corri para entrar no carro, numa tentativa inútil de fugir da angústia, eu não prestava muita atenção para onde eu dirigia, fiquei vagando pelas ruas secundárias molhadas enquanto evitava os caminhos que me levariam para a casa; Não queria arrastar minhas sombras letais para o mundo seguro e solitário do meu quarto.
Estava frio, mesmo enquanto afugentava as imagens, senti meus olhos cheios de lágrimas, e o ardor no meu peito incendiou-se em agonia. Tirei uma das mãos do volante e coloquei no peito, para não perder o controle. “Será como se eu nunca tivesse existido”.
As palavras passavam por minha cabeça, eram só palavras, sem som, como se estivessem impressas numa página. Só palavras, mas abriram ainda mais o buraco, eu pisei no freio sabendo que não devia dirigir enquanto estivesse tão incapacitada. Eu me curvei, comprimindo o rosto contra o volante.
Perguntei-me quanto tempo aquilo ainda ia durar. E se esse buraco jamais melhorasse? E se as bordas feridas jamais se curassem? Não menti para mim mesma. Se nada acontecesse... Isso me mataria.
Bati a cabeça contra o volante, tentando me distrair da dor mais intensa.
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