segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Orgulho

Eu estava entorpecida, de início não conseguia me mexer, todo o meu corpo ficou dormente, não conseguia sentir nada abaixo do pescoço. Mas enquanto ele se afastava, pude sentir um impacto, uma dor intensa em minha espinha que causou um estrondo em meu corpo. Ele estava me abandonando ali com um passo atrás do outro, reprimi o impulso de gritar. _espere... Eu me engasguei com a palavra. Estendi as mãos para ele, obrigando minhas pernas dormentes a me levarem pra frente, pensei que ele também estivesse estendendo os braços pra mim, mas suas mãos frias se fecharam em meus pulsos. Aquilo foi um pouco demais pra mim, me magoou com uma intensidade incontrolável, uma dor física como uma facada na cabeça; fiquei paralisada meus músculos se contraindo como se recebessem um impacto. Um rasgo profundo se abriu em meu peito; a dor me tirou o fôlego, parecia que aquilo ia me matar. Eu fechei os olhos, apertando-os. _Adeus_ disse ele numa voz baixa e tranquila._ “Será como se eu nunca tivesse existido”. Outro golpe, outro rasgão no meu peito, apertei a boca com o punho pra não gritar. Então era aquilo. O oceano de dor. A margem além da água fervente tão distante que eu não conseguia imaginá-la, muito menos vê-la. Veio uma brisa leve, meus olhos se abriram, as folhas de um pequeno bordo estremeceram com o vento suave de sua passagem. Ele se fora.

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