segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O fim

Ele encostou-se a uma árvore larga, com as mãos pra traz, fitando o nada. Sua boca se abriu, mas ele apertou os lábios, franziu as sobrancelhas e fechou os olhos por um instante, depois respirou fundo relaxando o rosto, abriu os olhos semicerrados e me encarou. __Eu vou embora... Para... O seu bem, eu tenho que... Ir embora! Eu ouvi muda e de olhos arregalados, sabia que ele esperava por minha reação, mas eu não conseguia falar, eu estava com dificuldade para respirar. Ele continuou. __Não sou bom pra você! Aquilo me revoltou. __Não seja ridículo! __Queria aparentar raiva, mas pareceu apenas que eu estava implorando. _Você é a melhor parte da minha vida! As lágrimas encheram meus olhos e eu comecei a ofegar, ele me olhava com tristeza. _Meu mundo não é lugar pra você. ­__disse ele de uma maneira sombria. Eu soluçava. __Onde você estiver é o lugar certo para mim. Eu vou com você. Eu devia estar tremendo, ele olhou para as árvores, depois lançou um olhar duro pra mim, a amargura substituiu parte da tristeza em seus olhos. __Não quero que você venha comigo. Ele pronunciou as palavras de modo lento e preciso, os olhos frios em meu rosto, observando-me absorver o que realmente ele estava dizendo. Fiquei paralisada ali... Apunhalada com aquelas palavras de dois gumes. Minha boca se escancarou e minha voz saiu como um sussurro. __você não me quer? Ele me encarou com frieza. Percebi com o estômago se contorcendo de náuseas que não havia vestígios de indecisão em seu rosto. Eu estava tonta, fui tomada por uma dor cortante, reprimi-a com violência, combatendo o golpe igualmente agudo de agonia enquanto meus olhos se demoravam em seu rosto... O rosto que eu não veria mais. Ele encarava o chão, recuou um passo longo, depois me observou minunciosamente erguendo os olhos com uma lentidão quase insuportável dos meus pés, a minha cabeça. Seu olhar era quase morto, Mórbido.

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