sexta-feira, 22 de junho de 2012

Ne Me Quitte Pas

Não me abandone, é preciso esquecer, tudo se pode esquecer que já ficou pra trás. Esquecer o tempo dos mal-entendidos e o tempo perdido a querer saber como esquecer essas horas que às vezes mata a golpes de por quês, o coração de felicidade. Não me abandone, não me abandone. Eu te oferecerei pérolas de chuva vindas de países onde nunca chove; Eu escavarei a terra mesmo depois da morte, para cobrir teu corpo com ouro e luzes. Criarei um país onde o amor será rei, onde o amor será lei e você será a rainha. Não me abandone, não me abandone. Não me abandone, eu te inventarei palavras absurdas que você compreenderá. Te falarei daqueles amantes que viram de novo seus corações excitados. Eu te contarei a história daquele rei, que morreu porque não pôde te conhecer. Não me abandone, não me abandone. Quantas vezes não se reacendeu o fogo do antigo vulcão que julgávamos velho? Até há quem fale de terras queimadas a produzir mais trigo na melhor primavera é quando a tarde cai, para que o céu se inflame o vermelho e o negro não se misturam. Não me abandone, não me abandone. Não me abandones, eu não vou mais chorar. Não vou mais falar, me esconderei aqui só para te ver dançar e sorrir, para te ouvir cantar e rir. Deixa-me ser a sombra da tua sombra? A sombra da tua mão? A sombra do teu cão? Não me abandone, não me abandone.

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