Sartre da São João, hálito de bebida barata e meio Vila Rica amassado no bolso. Devorador de memórias de prostitutas e arruinados, o doce prazer dos últimos trocados. Hoje escreverei o livro de toda minha vida, e trocarei os manuscritos por beijos e carinhos pagos. Foi tudo um engano, um enorme engano do acaso. E acabei aqui, vencedor mais derrotado, de troféu entre os braços, sem ninguém pra me chamar de herói. Velando meus coelhos brancos.
(...)
As pessoas não ficam, sempre passam e evitam contato com o homem e seus desencantos. E eu assisto tudo, como um filme de quinta categoria, sem saber porque faço ou falo coisas. Em um cinema sujo e triste, as mulheres me cospem, o coração desiste e deixo o orgulho para as moscas.
(...)
Um brinde então, a esse odor de quarto úmido, a televisão que não sintoniza. Um brinde ao Domingo, ao tédio, a esse colchão imundo, onde casais feios treparam por dias. Eu sou herói de ninguém e quero um quarto sem espelhos. Um corpo sem nome pra abraçar com os joelhos. Porque hoje sou o que sou, o leão covarde da boca do lixo na estrada de tijolos mais suja e cheia de bichos. Decorei poesias, li Kierkegaard, Nietzsche até o raiar do dia. E só conheci mesmo na vida os demônios sujos que não conhecia.
(...)
Verdade Fernando, jamais conheci mesmo quem levasse porrada e todos que conheci me chutaram mesmo caído à calçada. Holden estou aqui, de esperanças enterradas. Atravesso, atravesso a estrada e nunca acontece nada... nada.
sábado, 23 de junho de 2012
Os Funerais do Coelho Branco II (em Linha Reta)
Sartre da São João, hálito de bebida barata e meio Vila Rica amassado no bolso. Devorador de memórias de prostitutas e arruinados, o doce prazer dos últimos trocados. Hoje escreverei o livro de toda minha vida, e trocarei os manuscritos por beijos e carinhos pagos. Foi tudo um engano, um enorme engano do acaso. E acabei aqui, vencedor mais derrotado, de troféu entre os braços, sem ninguém pra me chamar de herói. Velando meus coelhos brancos.
(...)
As pessoas não ficam, sempre passam e evitam contato com o homem e seus desencantos. E eu assisto tudo, como um filme de quinta categoria, sem saber porque faço ou falo coisas. Em um cinema sujo e triste, as mulheres me cospem, o coração desiste e deixo o orgulho para as moscas.
(...)
Um brinde então, a esse odor de quarto úmido, a televisão que não sintoniza. Um brinde ao Domingo, ao tédio, a esse colchão imundo, onde casais feios treparam por dias. Eu sou herói de ninguém e quero um quarto sem espelhos. Um corpo sem nome pra abraçar com os joelhos. Porque hoje sou o que sou, o leão covarde da boca do lixo na estrada de tijolos mais suja e cheia de bichos. Decorei poesias, li Kierkegaard, Nietzsche até o raiar do dia. E só conheci mesmo na vida os demônios sujos que não conhecia.
(...)
Verdade Fernando, jamais conheci mesmo quem levasse porrada e todos que conheci me chutaram mesmo caído à calçada. Holden estou aqui, de esperanças enterradas. Atravesso, atravesso a estrada e nunca acontece nada... nada.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário